Até que eu encontre meu lugar

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

A sensação de que tudo está dando errado é perturbadora. Todos os dias, preciso acordar e me lembrar de que existem coisas, pessoas e responsabilidades que dependem de mim. Mas, em meio a tudo isso, tenho me sentido insuficiente em tantos aspectos.

Sozinha. Problemática. Instável.

De certa forma, reconheço que amadureci. Já não sou a mesma de antes, aprendi algumas coisas, enxerguei outras e talvez hoje compreenda melhor os meus próprios erros. Ainda assim, parece nunca ser o suficiente. É como se eu continuasse sendo o caos, mesmo quando tudo o que mais desejo é encontrar alguma ordem dentro de mim.

E, enquanto tento me entender, sinto que perco pessoas especiais, momentos que não voltam e oportunidades que talvez não se repitam. Às vezes, tenho a impressão de que sigo fazendo as escolhas erradas, dizendo as palavras erradas e insistindo em caminhos que me afastam da vida que gostaria de construir.

E então me pergunto: a que foi que eu vim?

Será que a vida é isso? Errar, tentar corrigir, errar novamente e seguir em frente até que, em algum momento, a gente simplesmente sucumba ao próprio peso?

Às vezes, penso em desistir. Mas desistir de quê, exatamente? De tentar? De recomeçar? De procurar respostas para perguntas que nem sei formular direito?

Hoje, não consigo enxergar objetivos que realmente me movam. Tenho vivido mais no modo da sobrevivência do que no da existência. Cumpro minhas obrigações, resolvo o que precisa ser resolvido e sigo fazendo o que a vida exige de mim. Mas, por dentro, parece faltar alguma coisa.

Nada me empolga como antes. Nada desperta aquele entusiasmo capaz de me fazer perder a hora, alimentar expectativas ou sentir aquele frio na barriga diante do que está por vir. Tenho respirado fundo e seguido em frente, quase no automático, como se viver tivesse se tornado uma sequência de tarefas a cumprir, e não algo a ser sentido.

Talvez eu esteja cansada de tentar ser forte. Talvez esteja cansada de mim mesma, das minhas contradições, dos meus excessos e da sensação constante de que deveria ser alguém melhor do que sou hoje.

Não sei.

Só sei que, neste momento, estou tentando encontrar meu lugar no mundo enquanto luto para não me perder de mim.

E, apesar de tudo, existe uma pequena esperança de que esta não seja a versão definitiva da minha história. De que eu ainda possa aprender a fazer escolhas mais conscientes, a lidar melhor com minhas emoções, a aceitar minhas imperfeições e a construir uma vida que não seja apenas suportável, mas que também tenha sentido.

Espero reler estas palavras um dia e perceber o quanto caminhei. Não porque todos os meus problemas tenham desaparecido, nem porque eu tenha me tornado uma pessoa perfeita, mas porque finalmente aprendi a não transformar cada erro em uma sentença contra mim mesma.

Espero olhar para trás e reconhecer que, mesmo nos dias em que me senti perdida, continuei aqui.

Tentando.

E talvez, por enquanto, isso precise ser suficiente.

Talvez eu ainda não saiba a que vim. Mas espero não desistir de mim antes de descobrir.

Sobre uma nova jornada.

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

Antes de te conhecer, eu passei por tantas versões de mim mesma que, olhando para trás, hoje entendo que cada uma delas estava me preparando para chegar até aqui.

Eu me transformei mil vezes, até me tornar alguém capaz de reconhecer, cuidar e valorizar o que é raro quando finalmente cruzasse o meu caminho.

E então você veio.

No tempo certo. Com as suas cicatrizes, as suas histórias, os seus medos e todas as cargas que a vida também colocou sobre os seus ombros.

E eu não quero uma versão mais fácil de você. Eu quero você assim, exatamente como é.

Autêntica. Intensa. Às vezes mal-humorada pela manhã e com seu tapa-olho medonho 😅
Dona das suas próprias verdades. A mulher que não tem medo de me dizer onde eu posso melhorar, que me confronta quando preciso e que me cobra a paz que sabe que podemos construir juntas.

Eu não quero que você seja diferente por mim. Quero que continue sendo você, porque foi justamente nessa mulher que eu encontrei um lugar que eu nem sabia que procurava.

E talvez seja por isso que nada tenha parecido tão rápido para mim.

Porque algumas histórias precisam de tempo para acontecer. Outras não. Elas simplesmente acontecem quando duas pessoas se encontram no momento em que finalmente estão prontas para se reconhecerem.

E nós nos reconhecemos.

Num encontro despretensioso, de pijama de unicórnio, depois de um dia cansativo.

Depois disso, reparou que nunca mais conseguimos parar de nos querer?

Mas o que sinto por você vai muito além do desejo.

Eu quero a rotina. Quero as conversas difíceis e as bobas. Quero ser um bom exemplo para o seu filho. Quero os dias leves e também aqueles em que a vida pesa.

Quero ser um lugar onde nós possamos descansar do mundo.

Eu prometo cuidar de nós três — não como quem promete que tudo será perfeito, mas como quem sabe que o amor verdadeiro também é escolha, presença, diálogo, respeito e cuidado diário.

Eu sei que nunca estaremos completamente prontas. Sei que existirão desafios, diferenças, dias difíceis e momentos em que precisaremos escolher uma à outra de novo.

E é justamente isso que eu quero.

Te escolher todos os dias.

Não porque eu precise de alguém para me completar, mas porque, ao seu lado, eu gosto ainda mais de quem eu sou. Com você, eu posso ser inteira. Posso ser eu mesma sem precisar diminuir nenhuma parte de mim. E, ao mesmo tempo, você me faz querer ser uma pessoa melhor — não por cobrança, mas porque amar você desperta em mim a vontade de evoluir.

Você se tornou a minha pessoa no mundo, sabia?

E agora que eu finalmente te encontrei, eu não quero mais me perder de mim — e muito menos me perder de nós.

Então… do nosso jeito.

Sem restaurante chique, sem vinho caro, sem roupas pensadas.

Só eu, aqui, diante de você, com tudo o que sinto e com tudo o que estou disposta a nos dar.

Porque, depois de tudo o que eu te falei agora, talvez a pergunta mais importante seja também a mais simples.

Eu não sei o que a vida vai colocar no nosso caminho.

Não sei quantos capítulos ainda teremos para escrever juntas, nem quantas vezes precisaremos escolher uma à outra ao longo deles.

Mas eu sei que quero estar lá.

Com você.

Por isso, hoje, eu quero transformar tudo o que sinto em uma escolha.

E a minha escolha sempre foi você, mesmo antes que eu soubesse.

E eu quero te perguntar: você também me escolhe ?

Surpreender-se

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

Engraçado…

Chega uma fase da vida em que colecionamos certezas. Prometemos a nós mesmas que não vamos mais nos permitir, nem nos entregar, nem depositar em ninguém aquilo que demoramos tanto para reconstruir. O foco passa a ser um só: cuidar de si, proteger a própria paz, não criar expectativas e seguir em frente.

Então alguém aparece.

Adiciona você em uma rede social. Nada demais. Provavelmente só mais uma pessoa aumentando a lista de seguidores. Você olha algumas fotos, curte as que chamam atenção e volta para a vida real. Trabalho, rotina, responsabilidades, metas, o compromisso silencioso de não deixar ninguém atravessar a muralha que levou tanto tempo para erguer.

Até que um comentário vira conversa.

Sem pretensão. Sem estratégia.

“Você treina sempre?”
“De onde você é?”
“O que faz da vida?”

Entre uma resposta e outra existe o tempo da vida acontecendo. Uma adormece depois de um plantão exaustivo. A outra termina mais um dia tentando dar conta da empresa, das cobranças e dos próprios fantasmas. As horas passam. Cada uma enfrenta seus medos sem imaginar que, do outro lado da tela, alguém começa a ocupar um espaço que nem existia.

À noite, depois de um banho demorado e do conforto do pijama, a conversa reaparece.

Ainda sem intenção.

Ainda sem destino.

Então surge um convite. Quase despretensioso. Um “já que não estou fazendo nada…”.

Tudo acontece rápido demais.

E, no fundo, o que é uma pequena loucura diante de uma vida inteira tentando controlar tudo?

Era para ser um dia comum. Um encontro comum. Duas pessoas comuns.

Mas talvez seja justamente nos dias em que não esperamos absolutamente nada que a vida resolve nos surpreender.

Não houve restaurante sofisticado. Nem roupas escolhidas para impressionar. Nenhuma máscara. Nenhum personagem.

Só pijama, pipoca, um filme cujo nome já nem importa e uma Coca-Cola sem gás… que, mais tarde, virou uma Cuba Libre.

Simples assim.

E, ainda assim, inesquecível.

Porque existem beijos que parecem ter esperado uma vida inteira para acontecer. O cheiro da pele deixa de ser apenas um perfume e se transforma em abrigo. Os corpos se encontram como se compartilhassem a mesma temperatura, o mesmo ritmo, a mesma linguagem.

A química não invade.

Ela reconhece.

Uma noite vira uma semana. E, sem perceber, aquela necessidade de se proteger desaparece. As barreiras caem sem esforço. O medo não é vencido por insistência, mas por delicadeza.

E é justamente aí que nasce um novo receio.

O de perder.

Curioso… quanto mais ela passa a importar, menos faz sentido fugir.

Como alguém que não conhecia a sua história consegue alcançar lugares onde ninguém mais chegou? Sem promessas, sem jogos, sem exigir nada em troca. Apenas sendo.

Duas mulheres maduras. Fortes. Independentes. Marcadas pelas próprias cicatrizes.

De repente, fazem a escolha mais improvável de todas.

Escolhem permanecer.

Escolhem dividir o tempo.

Escolhem transformar qualquer instante comum em um lugar para onde sempre desejam voltar.

E então surge a pergunta.

Como se chama isso?

Confiança?

Destino?

Entrega?

Paixão?

Desejo?

Talvez nenhuma dessas palavras seja suficiente.

Porque existem encontros que não cabem em definições.

Eles simplesmente atravessam tudo o que fomos, desmontam tudo o que jurávamos nunca mais sentir e, quando percebemos, já não existe um futuro que pareça completo sem o calor do outro ao lado.

E talvez seja exatamente isso que torna algumas pessoas inesquecíveis: elas chegam sem fazer barulho, desmontam todas as nossas certezas e, quando nos damos conta, já se tornaram o lugar onde o coração finalmente encontra descanso.

Consciência

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

Não tento mais acelerar o que a vida já está organizando.

Há algum tempo, uma decepção era capaz de me tirar a paz por dias. Agora eu sinto, aceito, treino, trabalho, faço as coisas que gosto, cuido de mim e sigo em frente. Isso não significa que fiquei fria; significa que fiquei mais consciente.

Não procuro motivos para sofrer antes do tempo. O que é verdadeiro não depende de ansiedade para acontecer.

Algumas portas só se abrem quando paramos de empurrá-las e seguimos caminhando.

Onde Nos Perdemos

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

A gente costuma acreditar que o fim de uma relação acontece de repente. Quase nunca acontece.

Na maioria das vezes, ele começa quando deixamos de olhar um para o outro com curiosidade. Quando paramos de perguntar como o outro está vivendo a própria vida e passamos a acreditar que já sabemos todas as respostas.

O tempo muda as pessoas. Muda as prioridades, os medos, os sonhos e até a forma de amar. E isso não significa que alguém esteja errado. Significa apenas que ninguém permanece exatamente igual.

Talvez o maior erro dentro de uma relação seja amar a lembrança de quem a pessoa foi, enquanto ela já está tentando existir de outro jeito.

Quando isso acontece, a distância nem sempre aparece na falta de mensagens ou de carinho. Às vezes ela nasce no silêncio de quem já não se sente visto, compreendido ou escolhido.

Hoje eu entendo que alguns finais não acontecem por falta de amor. Acontecem porque duas pessoas deixaram de conseguir se encontrar no mesmo lugar.

E tudo bem.

Nem toda despedida precisa carregar culpa. Algumas carregam apenas o reconhecimento de que insistir já não faria sentido.

A vida continua transformando cada um de nós. E talvez a forma mais bonita de amar seja aceitar que algumas pessoas caminham ao nosso lado apenas por um trecho do caminho.

O importante é que, quando uma história termina, a gente não deixe de continuar caminhando.

Porque quem permanece em movimento sempre acaba encontrando novos lugares, novas versões de si mesmo e, quando for a hora, novos encontros.

A Vida

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

Ainda sigo levando algumas cacetadas da vida.

É impossível não criar expectativas quando algo bom acontece. E também não vou mentir: quando vai embora, leva consigo um pedaço importante da minha alegria.

A diferença é que os altos e baixos da vida não me param mais. Não me fazem desacreditar que o melhor ainda está por vir.

O que é meu encontra o caminho até mim. E eu sinto isso com uma intensidade tão grande que chega a ser palpável.

Estou deixando as coisas se acalmarem aqui dentro mais uma vez. Sem muitos planos. Sem grandes expectativas. Apenas acreditando que, no final, tudo se encaixa.

E entendendo que a vida é assim mesmo. Alguns detalhes simplesmente chateiam. Nem tudo acontece como queremos. Na verdade, a maioria das coisas nem está sob o nosso controle.

Sigo em frente, extraindo o melhor de tudo. Porque, mesmo quando a vida tira algo de nós, ela sempre encontra uma forma de devolver algo novo.

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

O que me atormenta é que tudo é “por enquanto”, nada é “sempre”.


(Clarice Lispector: esboço para um possível retrato, de Olga Borelli)

Mudanças

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

Quando a energia muda, a vida muda junto.

De repente, o universo começa a te apresentar tantas coisas boas que fica até difícil escolher por onde começar.

As pessoas chegam. As experiências acontecem. Novos gostos surgem. E tudo aquilo que existe de melhor em você volta a transbordar.

Isso aparece nos encontros, nas oportunidades e na gratidão por perceber quantas pessoas vibram pela sua felicidade. Pessoas que torcem por você, que se preocupam, que celebram suas conquistas e se alegram genuinamente ao te ver bem.

É nesse momento que você finalmente enxerga a sua dimensão.

Percebe quem é. O que representa. O impacto que causa.

Entende que é único.

E que, às vezes, apenas a sua presença é capaz de provocar um verdadeiro terremoto de transformação na superfície da vida de quem cruza o seu caminho.

Sinto hoje uma saudade gostosa, diferente daquela saudade que machuca.

Ela não vem acompanhada de aperto no peito, necessidade de controle ou medo constante de perder a pessoa. Ela simplesmente me faz sorrir quando lembro de um momento, sinto vontade de reencontrar e continuar vivendo a vida enquanto isso.

Não porque essa nova pessoa seja “a pessoa certa” ou porque vá durar para sempre. Mas porque voltei a sentir curiosidade, desejo, expectativa boa e vontade de compartilhar momentos.

Sem precisar decidir agora o que isso é.

É  alguém que me faz sorrir quando manda mensagem, que dá friozinho bom antes de encontrar e que me deixa com saudade quando vai embora.

Se virar algo maior, descobriremos com o tempo. Se não virar, ainda assim ela pode ter sido a pessoa que me lembrou que continuo capaz de me conectar, desejar e ser desejada.

Virada de Chave

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

O amor transforma. A dor transforma. A verdade transforma. Mas nada transforma tanto quanto a decepção.

É quando entendemos o quanto realmente representamos para alguém quando ela já não precisa de nós. Quando deixamos de fazer parte da rotina, da presença constante, do cotidiano. De repente, parece que tudo é anulado. Tudo o que foi bom é esquecido. Em algum momento, passamos a não ser mais nada. Somos deixados para trás.

Mas também sei que tudo nesta vida tem algum sentido, mesmo quando ainda não conseguimos enxergá-lo.

As pessoas vêm e vão. Ficam os aprendizados, que muitas vezes chegam de forma dolorosa, mas são genuínos. Há momentos em que uma chave gira dentro de nós. Passamos a compreender nosso valor independentemente da visão do outro. Porque, no fim, o que realmente nos resta é não perder nossa essência.

Erros acontecem. O importante é reconhecê-los e não repeti-los.

Eu valorizo tudo o que houve. Hoje entendo que só posso controlar minhas próprias ações — algo que, muitas vezes, eu não soube fazer.

Todos os dias somos testados. E tudo o que precisamos decidir é de que forma queremos atravessar esse teste.

Hoje, eu escolho passar por ele com leveza. Sem excessos. Sem me julgar tanto. Eu me responsabilizo por tudo o que fiz. Aprendo, sigo em frente e tento evoluir.

Porque crescer não é apagar o passado. É fazer as pazes com ele.